PEQUENO ENSAIO SOBRE O AMOR
PEQUENO ENSAIO SOBRE O AMOR
Sendo uma das experiências mais bonitas, o amor talvez seja o mais contraditório dos sentimentos. Ao mesmo tempo em que nos fortalece, também nos deixa vulneráveis. Ele nos aproxima do outro, mas também nos faz olhar para dentro de nós mesmos. Por isso, é tão difícil defini-lo: amor não é apenas sentimento, é também escolha, cuidado e transformação.
O amor costuma chegar de forma intensa, arrebatadora, mas com o tempo, ele muda sua impulsividade. Deixa de viver apenas nas grandes emoções, e passa a existir nos espaços menores do cotidiano: na escuta, na paciência, no respeito e nos pequenos gestos.
Amar não é só sentir — é permanecer. É aprender a dividir a vida com alguém real, com qualidades, defeitos, limites e contradições.
Ao amar, também descobrimos muito sobre nós mesmos. O outro se apreenta como um espelho, que revela nossos medos, nossas carências e ao mesmo tempo, nossas capacidades de crescer e amadurecer. Muitas vezes, amamos aquilo que nos completa, mas também aquilo que nos desafia a sermos melhores.
O amor não vive apenas da presença. A distância, a saudade e até a perda, fazem parte dele. Em muitos momentos, é justamente na ausência, que percebemos a força de um sentimento. Amar é entender, que nem tudo pode ser controlado e que ainda assim, vale a pena o amor.
O amor verdadeiro também precisa de liberdade. Não pode ser prisão, nem posse. Ele existe no equilíbrio entre estar junto, e continuar sendo quem se é. Quando há apenas controle, o amor se transforma em medo; quando há apenas liberdade sem compromisso, perde profundidade. Amar de verdade é conseguir caminhar ao lado do outro, sem deixar de ser, o que se é verdadeiramente...
No fim, o amor não é um sentimento acabado e perfeito. É um processo construído aos poucos, cheio de imperfeições, mudanças e aprendizados.Se E talvez seja, justamente isso, que o torne tão profundamente humano.
Vamos levantar uma questão polêmica: ainda estamos vivendo o "amor romântico", ou a sociedade contemporânea já se afastou desse conceito, e está em processo de mudança, para uma nova noção de amor?
Se estamos assistindo a uma profunda alteração dos valores, diante das novas tecnologias, que entre algumas importantes mudanças no comportamento humano, também está afetando o tradicional modelo do "casamento clássico", criando novas formas de relacionamento, alterando as responsabilidades de parte a parte, e gerando um modelo relativizado nos compromissos, em que a mulher perde o seu papel tradicional e caminha lado a lado com o homem.
Uma outra questão: nesse novo modelo de família, que alterações podemos observar nas gerações que convivem com esse modelo inovador?
Muitas questões, muitas respostas... e que soluções estamos dando, para uma geração que se prepara para um novo mundo?
mario moura
(do livro Pequenas Histórias sem Testemunhas Ensaios Vagas anotações)
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