O CONTO "O GATO QUE VIGIAVA A CASA & PEQUENO ENSAIO Entre a natureza, o mistério e a companhia humana
O GATO QUE VIGIAVA A CASA
Augusto tinha setenta e quatro anos, quando descobriu que uma casa pode ficar grande demais.
Não era uma casa grande.
Três quartos, uma sala, cozinha, dois banheiros, uma pequena área de serviço e um jardim estreito na frente.
Durante muitos anos, aquilo lhe parecera suficiente.
Depois começou a parecer excessivo.
A esposa havia morrido dois anos antes.
Os filhos moravam em outras cidades.
Os amigos tinham desaparecido lentamente, como desaparecem as pessoas na velhice: primeiro deixam de telefonar todos os dias; depois telefonam apenas aos domingos; depois começam a esquecer os domingos.
Alguns morreram. Outros adoeceram. Alguns simplesmente desapareceram da vida. Augusto permaneceu.
No início, tentou preencher a casa. Ligava a televisão. Deixava o rádio ligado. Conversava sozinho. Fazia café em excesso. Acendia as luzes de todos os cômodos.
Era como se quisesse convencer a casa, de que ainda havia muita gente vivendo ali.
Depois desistiu. Foi nessa época que Bento apareceu. Era um gato laranja, malhado, de pelo curto, olhos dourados, felinos, e uma pequena mancha branca no peito.
Primeiro apareceu no jardim. Depois na calçada. Depois passou a sentar-se junto ao portão. Augusto colocou uma tigela com água. No dia seguinte, colocou comida. No terceiro dia, Bento comeu. No quarto, não apareceu. No quinto, voltou. Augusto não comentou.
No sexto, o gato entrou na cozinha. Augusto olhou para ele.
— Você está ficando abusado.
Bento sentou-se.
— Aqui não é hotel.
O gato piscou lentamente.
Augusto sorriu.
— Mas pode ficar.
E ficou. Não houve cerimônia. Não houve adoção formal. Não houve decisão. Bento simplesmente passou a morar ali. Dormia em lugares diferentes. Tinha preferência pela cadeira próxima à janela, durante a manhã, e pelo sofá durante a tarde.
À noite, desaparecia. Augusto nunca descobriu para onde.
— Você tem uma vida secreta — dizia.
Bento não respondia. Era um gato. Augusto achava isso uma qualidade.
Com o passar dos meses, Bento começou a conhecer a rotina da casa.
Sabia, quando Augusto acordava. Sabia, quando o café estava pronto. Sabia, quando o jornal chegava. Sabia, quando era hora de dormir. E principalmente sabia, quando Augusto estava triste.
Nesses dias, o gato se aproximava. Não imediatamente. Esperava. Depois vinha. Sentava-se perto. Às vezes encostava o corpo na perna do velho.
Augusto dizia:
— Você não entende nada.
Bento fechava os olhos.
— Ou entende mais do que eu.
O gato continuava imóvel. Era impossível saber.
Certa madrugada, Augusto acordou com uma sensação estranha. A casa estava completamente silenciosa.
Olhou para o relógio. Três horas e dezessete minutos.
Bento estava sentado no corredor. O gato olhava fixamente para a porta da sala.
Augusto levantou.
— O que foi?
Bento não se mexeu. Augusto caminhou até a sala.
Nada. Abriu a janela. Nada. Apenas incontáveis luzeiros, estrelas anônimas brilhavam à distâncias, que a imaginação humana não consegue entender.
Olhou para o jardim. Nada. Voltou para o quarto. Bento continuava no corredor.
— Você está vendo fantasma?
O gato virou a cabeça. Augusto riu.
— Eu sabia.
Voltou para a cama.
Na manhã seguinte, esqueceu. Na noite seguinte, aconteceu novamente.
Três horas e dezessete. Bento no corredor. Olhando para a sala. Na terceira noite, Augusto começou a ficar incomodado.
— Agora chega!
Levantou-se. Acendeu as luzes. Abriu todas as portas.
Nada!
Voltou para o corredor. Bento estava diante de uma fotografia. Augusto parou. Era a fotografia de Helena. Sua falecida esposa. A mesma fotografia que permanecia na sala havia dois anos. Ele não sabia por que, aquela imagem lhe parecia diferente naquela madrugada.
Talvez porque estivesse cansado. Talvez porque estivesse velho. Talvez porque a luz fosse diferente. Ou talvez porque Bento estivesse olhando para ela.
Augusto aproximou-se.
— Você conheceu Helena?
Bento não respondeu.
— Ela gostava de você.
O gato sentou-se. Augusto tocou a moldura.
— Ela dizia que eu não sabia cuidar de ninguém. Nem mesmo de mim!
Sorriu.
— Talvez tivesse razão.
Ficou alguns segundos em silêncio. Depois sentou-se no chão. Foi então que começou a chorar. Não chorou como havia chorado no funeral. Nem como chorara sozinho, durante os primeiros meses. Foi um choro diferente. Um choro sem defesa. Um choro de alguém que finalmente, não precisava fingir que estava bem.
Bento aproximou-se. Encostou-se nele. E começou a ronronar. Augusto colocou a mão sobre o gato.
— Você está fazendo isso de propósito?
O ronronado continuou.
— Está tentando me curar?
O gato fechou os olhos. Augusto riu entre lágrimas.
— Não seja pretensioso, Bento! Há dores que são silenciosas, e têm o seu tempo para amaudrecer, assim como as frutas... Não amadurecem todas de uma só vez, mas cada uma a seu tempo, determinado pelas leis naturais.
Mas não retirou a mão. Ficou assim por muito tempo.
No dia seguinte, telefonou para o filho. Conversaram durante quarenta minutos. Depois telefonou para a filha. Também demorou, esticando conversa, como quem busca fugir da solidão. E do silêncio...
Na semana seguinte, aceitou o convite de um antigo amigo para almoçar. Voltou a frequentar uma pequena livraria. Começou a caminhar todas as manhãs.
Reaprendeu a cozinhar para uma só pessoa. Retornava de uma longa viagem ao redor da memória, e chegava sem bagagem, sem anteriores, sem passado. Com a alma leve, mãos vazias, olhos mais serenos, expressão mais suave.
A casa mudou. Ou talvez Augusto tivesse mudado. Ou a vida apontasse para outra direção, para um novo renascer.
Bento continuava o mesmo. Dormia. Comia. Brincava. Observava. Miava para si mesmo. Desaparecia. Voltava.
Fazia suas rondas. E todas as noites, às vezes exatamente às três e dezessete, sentava-se no corredor. Augusto já não se assustava.
— Vai vigiar?
Bento olhava para ele.
— Vá.
O gato sentava-se. Augusto voltava para a cama. Certa tarde, seu filho perguntou:
— Pai, você ainda acha que esse gato vê coisas?
— Que coisas?
— Espíritos.
Augusto sorriu.
— Não sei.
— Mas você acredita?
Augusto olhou para Bento. O gato estava sentado diante da janela.
— Acreditar é uma palavra complicada.
— Então o que você acha?
Augusto demorou a responder.
— Acho que ele percebe coisas, que eu não percebo.
— Como o quê?
— Sons. Cheiros. Movimentos. Mudanças.
— Isso é normal em gato.
— Eu sei.
O filho sorriu.
— Então, você não acredita em nada sobrenatural?
Augusto permaneceu olhando para Bento.
— Não disse isso.
— Pai...
— Eu só disse que não sei.
E acrescentou:
— Há muita coisa que a gente chama de sobrenatural, apenas porque ainda não encontrou a palavra certa.
O filho ficou em silêncio. Bento levantou-se. Passou pelas pernas de Augusto. Depois desapareceu pelo corredor.
Alguns meses depois, Augusto ficou doente. Nada grave no início.
Uma infecção. Febre. Fraqueza. Mas o corpo de um homem de setenta e quatro anos, não responde às doenças como o corpo de um homem de quarenta. Augusto passou alguns dias na cama. Bento não saiu do quarto. Dormia aos pés da cama. Às vezes subia. Às vezes ficava sentado no chão.
Quando Augusto tinha febre, Bento permanecia perto. Quando a febre baixava, saía.
Augusto percebeu aquilo.
— Você é médico agora?
Bento fechou os olhos.
— Veterinário?
O gato permaneceu imóvel.
— Enfermeiro?
Nada.
— Guarda-costas?
Bento levantou a cabeça. Augusto riu.
— Ah. Essa você gostou!
Naquela noite, Augusto adormeceu. Quando acordou, Bento estava sentado ao lado da porta.
O velho olhou para ele. E teve uma sensação estranha.
Não medo. Não exatamente. Uma espécie de certeza. Como se aquela criatura estivesse realmente, guardando alguma coisa.
Não sabia o quê. Talvez a casa. Talvez ele. Talvez simplesmente o silêncio.
Quando se recuperou, Augusto passou a olhar para Bento de maneira diferente. Não porque acreditasse que o gato tivesse poderes. Mas porque percebeu que não precisava decidir. A existência podia permanecer misteriosa. Nem tudo precisava ser transformado em certeza. Algumas coisas podiam apenas ser vividas.
Certa noite, Augusto estava sentado no jardim. Bento ao lado. O céu estava limpo. As estrelas apareciam sobre as casas. Frias, distantes, indiferenes às dores e alegrias dos homens, como deuses mitológicos, acima do bem e do mal.
Augusto falou:
— Você sabe que vai morrer antes de mim, não sabe?
Bento olhou para ele.
— Provavelmente.
O gato permaneceu em silêncio.
— E eu não sei se estou preparado.
Bento aproximou-se. Augusto passou a mão sobre seu pelo.
— Talvez ninguém esteja.
Ficaram juntos. O homem olhando o céu. O gato olhando o escuro.
Augusto pensou que talvez fosse isso, que a vida fazia conosco. Primeiro nos ensinava a possuir. Depois nos obrigava a perder. E, finalmente, quando já havíamos perdido quase tudo, ensinava-nos a simplesmente permanecer.
Bento deitou-se. Augusto sorriu.
— Você é melhor filósofo do que eu.
O gato fechou os olhos.
Algum tempo depois, o filho voltou a perguntar:
— Pai, afinal, por que você acha que o Bento protege a casa?
Augusto respondeu:
— Não sei se protege.
— Mas você sempre diz isso.
— Digo porque ele faz rondas durante a noite.
— Isso é comportamento de gato.
— Talvez.
— Então?
Augusto pensou. Passou a mão sobre a cabeleira branca, perdeu o olhar em uma desconhecida distância, e após um demorado silêncio, respondeu:
— Talvez ele não proteja a casa dos espíritos.
— E proteja de quê?
Augusto olhou para a sala. Depois para o corredor. Depois para o gato.
— Da solidão.
E seu olhar escureceu, como se chegasse de algum lugar intensamente iluminado.
O filho não respondeu. Augusto continuou:
— Quando Helena morreu, esta casa ficou cheia de lugares vazios. Cada cômodo, lembrava alguma coisa. Cada cadeira, parecia perguntar onde ela estava. Cada noite, parecia maior que a anterior.
Fez uma pausa.
— Bento não trouxe Helena de volta.
— Eu sei.
— Não curou minha tristeza.
— Também sei.
— Mas ficou.
O filho olhou para o pai.
Augusto continuou:
— Às vezes, penso que é isso que chamamos de proteção. Não é impedir que a dor aconteça. Apenas, não permitir que atravessemos a dor, completamente sozinhos.
O filho ficou em silêncio. Bento levantou-se. Caminhou até Augusto. Passou lentamente entre suas pernas. Depois foi até o corredor. Sentou-se. Parecia uma esfinge..
E ficou olhando para a escuridão.
Naquela madrugada, Augusto acordou. Três horas e dezessete minutos.
Bento estava no corredor. Como sempre.
O velho ficou alguns segundos observando. Então levantou-se. Caminhou até o gato. Sentou no chão.
— Você ainda está vendo alguma coisa?
Bento olhou para ele. Augusto esperou. Nada.
— Tudo bem!
Ficou sentado ao lado do gato. A casa estava silenciosa. Não havia televisão. Não havia rádio. Não havia vozes. Não havia passos.
Somente o relógio. A respiração do homem. A respiração do gato.
E, depois de algum tempo, o ronronado.
Augusto fechou os olhos. Pensou em Helena. Pensou nos filhos. Pensou na infância. Pensou no tempo. Pensou na morte. E pela primeira vez, não sentiu necessidade de compreender nada.
Talvez aquela fosse a verdadeira sabedoria, que o gato lhe ensinara.
Nem tudo precisa ser explicado. Algumas coisas precisam apenas ser acompanhadas.
Augusto passou a mão sobre o pelo de Bento.
— Obrigado.
O gato não respondeu. Nunca respondia. Mas permaneceu. E talvez fosse exatamente essa a resposta.
Anos mais tarde, quando Bento já estava velho, Augusto percebeu que a casa começara novamente a mudar.
O gato dormia mais. Brincava menos. Subia com dificuldade no sofá. Já não fazia suas rondas, com a mesma velocidade. Augusto passou a ajudá-lo. Colocou uma pequena almofada perto da janela.
Aproximou a água. Adaptou a comida. E, algumas noites, carregava Bento até o quarto.
— Agora sou eu que cuido de você.
Bento olhava para ele. Augusto sorria.
— Não se acostume.
Mas os dois sabiam. A relação havia mudado.
Aquele que durante anos fora o guardião, agora precisava ser protegido.
E talvez não houvesse nisso nenhuma tragédia.Era apenas a natureza. O ciclo. A reciprocidade silenciosa da vida.
Na última noite, Bento estava deitado aos pés da cama. Augusto não dormia.
Sabia. Os animais não anunciam a morte. Mas algumas vezes o corpo anuncia.
Augusto estendeu a mão. Bento abriu os olhos. O velho acariciou lentamente sua cabeça.
— Você foi um bom gato.
O ronronado veio baixo. Quase imperceptível. Augusto sorriu.
— Foi mais do que isso.
Fechou os olhos.
— Foi minha companhia.
O gato permaneceu imóvel. Depois Augusto disse:
— Talvez tenha sido meu guardião.
Silêncio.
— Ou talvez eu tenha sido o seu.
A mão permaneceu sobre o pelo. E Augusto percebeu, naquele instante, que já não sabia onde terminava um, e começava o outro.
Durante tantos anos haviam dividido a mesma casa. Os mesmos horários. As mesmas noites. Os mesmos silêncios. Uma parte da vida de Augusto, havia entrado no gato. E uma parte de Bento, havia entrado no homem.
Talvez fosse isso, o amor entre espécies. Não a transformação de um no outro. Mas a criação de um território comum.
Um lugar onde duas naturezas diferentes, conseguem permanecer juntas, sem deixar de ser diferentes.
Bento morreu alguns dias depois. Augusto enterrou-o no jardim.
Plantou uma árvore pequena sobre o lugar.
Durante semanas, a casa voltou a parecer grande. Grande demais.
O velho caminhava pelos cômodos, e procurava involuntariamente o gato.
Na janela. Na cadeira. No corredor. Aos pés da cama.
Nada!
O silêncio havia retornado. Mas alguma coisa havia mudado. Augusto já não tinha medo dele.
Numa madrugada, exatamente às três e dezessete minutos, acordou. Ficou imóvel. Esperou.
Por alguns segundos, teve a impressão de ouvir um ronronado.
Baixíssimo. Distante. Quase impossível. Abriu os olhos. Não havia nada!!
Olhou para o corredor. Vazio.
Sorriu.
— Você voltou?
Nenhuma resposta. Augusto fechou os olhos. Não sabia se tinha ouvido alguma coisa. Talvez fosse apenas memória. Talvez o cérebro reproduzisse um som conhecido. Talvez a casa tivesse produzido algum ruído. Talvez nada tivesse acontecido. Talvez...
E, pela primeira vez, Augusto percebeu que não precisava escolher.
A realidade e o mistério podiam viver juntos.
Na manhã seguinte, abriu todas as janelas.
A luz entrou.
Foi até o jardim. Parou diante da árvore. Tocou o tronco.
Depois voltou para dentro. A casa estava silenciosa. Mas não estava mais vazia. Porque algumas presenças permanecem, depois que o corpo desaparece. Não necessariamente como fantasmas. Talvez como hábitos.
Como memória. Como afeto. Como transformação. Como uma parte de nós, que foi modificada pela existência de outro ser.
Augusto finalmente compreendera: o gato não havia protegido a casa da morte. Não poderia. Nenhum animal, nenhum homem, nenhuma crença pode fazer isso.
Bento havia feito algo mais simples e, talvez, mais importante.
Havia ensinado Augusto a viver acompanhado do mistério. E talvez fosse essa a verdadeira proteção. Não afastar a escuridão. Mas permanecer ao nosso lado, quando ela chega!!
EPÍLOGO
Talvez os gatos não sejam seres espirituais. Talvez sejam. Não sabemos. Talvez não absorvam energias negativas. Talvez simplesmente, percebam alterações do ambiente, que nossos sentidos não alcançam.
Talvez não curem doenças. Mas podem oferecer presença, calor, vínculo, conforto e uma rotina de cuidado, capaz de tornar a existência menos solitária.
Talvez não sejam guardiões sobrenaturais. Mas guardam alguma coisa.
Guardam a casa contra o vazio. Guardam o silêncio contra o abandono. Guardam a rotina contra a desordem. Guardam, muitas vezes, o humano, contra uma forma de solidão, que nenhuma tecnologia consegue resolver.
O gato não precisa ser transformado em divindade, para ser extraordinário.
Talvez sua grandeza, esteja justamente em permanecer animal. Um pequeno descendente dos felinos selvagens, que entrou na história humana, sem abandonar completamente a floresta.
Uma criatura que dorme em nossas camas, mas ainda carrega a noite nos olhos. Uma pequena fera que aceita nossa mão sobre o pelo, mas conserva dentro de si, um território que não podemos possuir.
Talvez seja essa sua maior lição.
O gato não nos ensina a dominar a natureza. Ensina-nos a conviver com o que não dominamos.
Não nos ensina a eliminar o mistério. Ensina-nos a habitá-lo. Não nos promete eternidade. Oferece presença.
E talvez a presença, seja uma das formas mais profundas de amor.
Porque, no final, quando todas as explicações falham, quando a ciência chega ao limite de suas perguntas, quando a religião encontra o território da fé, e quando a filosofia percebe que algumas perguntas não possuem resposta definitiva, permanece uma coisa muito simples:
um ser vivo ao nosso lado. Uma respiração. Um corpo aquecido. Dois olhos observando a escuridão.
E, às vezes, um ronronado.
Talvez não seja uma mensagem do outro mundo. Talvez seja apenas o som de um gato. Mas talvez seja exatamente isso, que precisamos ouvir.
Porque há momentos em que a vida, não precisa nos explicar nada. Precisa apenas permanecer conosco.
E o gato, com sua antiga sabedoria silenciosa, parece saber disso desde sempre.
Talvez o homem tenha pensado que domesticou o gato. Talvez tenha sido o gato que, silenciosamente, domesticou uma parte do homem.
O ponto central que sustenta tudo, é a ambiguidade: não precisamos provar que o gato é um protetor espiritual, para reconhecer que ele pode exercer, na vida humana, uma função de proteção emocional, simbólica e existencial.
mario moura
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