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Mostrando postagens de agosto, 2026

A LINGUAGEM COMO REVELAÇÃO, PODER E NARRATIVA

      A linguagem como revelação, poder e narrativa A linguagem é o espaço onde o mundo se revela e se reinventa. Se Peirce nos mostrou que o signo é mediação entre realidade e interpretação, e Derrida nos lembrou que essa mediação é instável, sempre aberta ao jogo das diferenças, Deleuze acrescentou que a linguagem é fluxo e diferença, rizoma que se espalha em múltiplas direções. Mas é com Paul Ricoeur e Martin Heidegger , que a linguagem ganha novas dimensões: a primeira como narrativa e interpretação; a segunda, como revelação do ser. A linguagem é inseparável da narrativa. Em obras como Tempo e Narrativa , Ricoeur mostra que contar histórias, é a forma pela qual os seres humanos interpretam o tempo, e dão sentido à experiência. A linguagem não apenas descreve fatos, mas os organiza em enredos, cria coerência, abre espaço para a ...

O JOGO DE XADREZ: A ÚLTIMA PARTIDA

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O JOGO DE XADREZ                                                                                            A última partida Existe uma melancolia particular na velhice que não nasce apenas das dores do corpo, ou da proximidade da morte, mas da lenta percepção de que o futuro vai deixando de existir como espaço de realização. O velho sofre menos pelo fim da vida, do que pelo desaparecimento do amanhã como promessa. A juventude vive sustentada pela ilusão do que ainda poderá acontecer; a velhice, ao contrário, aprende a conviver com aquilo que já não acontecerá mais. Em algum momento silencioso — impossível de determinar com precisão — o homem envelhecido percebe que já atravessou a maior parte de sua história. Não há anúncio para isso. Nenhuma revelação dramáti...

SOBRE O PROBLEMA POLÍTICO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA

SOBRE  O PROBLEMA POLÍTICO DA DEMOCRACIA BRASILEIRA Herança histórica, desigualdade, corrupção e os limites de uma democracia inacabada           Há uma pergunta que o Brasil insiste em adiar: por que uma sociedade que possui recursos naturais extraordinários, uma economia de dimensões continentais, instituições democráticas relativamente consolidadas e uma população numerosa e culturalmente diversa, continua convivendo com níveis tão elevados de desigualdade, desconfiança política, corrupção e precariedade social?           A resposta não pode ser encontrada apenas na incompetência de determinados governantes, nem na corrupção de alguns políticos, e nem na suposta incapacidade moral do povo brasileiro.                                                Explicar o Brasil pela deficiência individual de seus po...

SOBRE A IMBECILIDADE CONTEMPORÂNEA

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                    SOBRE A IMBECILIDADE CONTEMPORÂNEA                                           O consumidor possessivo e a lenta perda da                                     humanidade           Há uma forma de violência, que não precisa de armas, prisões ou censura. Ela acontece silenciosamente, quando uma sociedade consegue convencer seus cidadãos de que aquilo que possuem, é mais importante do que aquilo que são.           Talvez seja essa uma das características mais perturbadoras da contemporaneidade.           O homem moderno não é, necessariamente, mais ignorante que seus antepassados. Ao contrário: dispõe de uma quantidade extraordinária ...