A HISTÓRIA HUMANA, UMA FANTASIA

 



                          A HISTÓRIA HUMANA, UMA FANTASIA

Prólogo  — Antes que soubéssemos que existíamos

Antes da história, houve homens.

Não havia ainda história, porque ninguém sabia que o tempo podia guardar o que acontecia. Não havia passado, senão como lembrança do corpo. Não havia futuro, senão como necessidade. Não havia humanidade como conceito, porque aqueles que eram humanos, ainda não sabiam que pertenciam a alguma coisa, que um dia seria chamada humanidade.

Havia frio.  Havia fome.  Havia medo.  Havia nascimento e morte.  Havia o fogo.  E havia a noite.

Os primeiros homens, não sabiam que eram os primeiros. Essa talvez seja a mais profunda inocência de nossa espécie.

Eles não sabiam que inauguravam alguma coisa.

Quando uma mulher protegia uma criança contra o frio, não sabia que estava repetindo um gesto, que atravessaria dezenas de milhares de anos. Quando um homem afiava uma pedra, não sabia que aquele pequeno movimento, pertenceria à longa genealogia da técnica. Quando alguém permanecia junto ao corpo de um morto, talvez não soubesse que estava diante de uma das primeiras perguntas humanas: o que significa alguém desaparecer?

Eles simplesmente faziam.  A vida não lhes explicava a si mesma.  Era necessário vivê-la.  E foi assim que tudo começou.

Não com uma ideia.  Não com uma palavra.  Não com uma descoberta.  Mas com um gesto.

O Filho não conhecia seu nome.  Ninguém precisava de nomes individuais. Ele era filho de alguém, irmão de alguns, companheiro de outros. Pertencia ao grupo, como uma pedra pertencia ao chão, e o fogo pertencia à noite.

Era jovem ainda.

Conhecia o cheiro da chuva, antes que ela chegasse. Sabia reconhecer determinados animais, pelo ruído dos passos. Sabia onde a água permanecia, depois da estação seca. Sabia que algumas plantas alimentavam, e outras matavam.

Não sabia explicar nenhuma dessas coisas.

Sabia, simplesmene!

Esse conhecimento não estava escrito em lugar algum.  Estava no corpo.

Era transmitido por imitação, pelo silêncio, pelo medo, pela repetição.

Uma criança observava.  Um adulto fazia.  A criança tentava.

E aquilo que funcionava, sobrevivia.  Talvez toda a civilização, tenha começado assim: alguém fazendo alguma coisa, que outro alguém decidiu repetir.

O Filho caminhava sozinho naquela manhã, quando encontrou as pegadas.

Parou.  Olhou.  E não compreendeu.

Havia marcas recentes na terra.  Não eram de animais conhecidos.  Eram pés.  Pés semelhantes aos seus.  Mas diferentes.  Ele se agachou.  Tocou uma das marcas.  A terra ainda conservava a forma do outro corpo.  Alguém estivera ali.  Alguém passara antes dele.

O Filho levantou os olhos para o horizonte.  Não sentiu ameaça.  Sentiu estranheza.  Ainda não possuía a ideia de futuro suficiente, para compreender que aquelas pegadas pertenciam a homens, que viriam depois dos homens que ele conhecia.

Não sabia que estava diante de uma mudança.  Não sabia que a vida não lhe prometera permanência.  Não sabia que uma espécie pode caminhar durante milhares de anos e, ainda assim, um dia deixar de caminhar.

Só sabia que alguém estivera ali.  E continuou andando.

Atrás dele, seus próprios pés deixaram novas marcas.  Ele não percebeu.

Muito tempo depois, outros homens encontrariam as marcas de outros homens.  E continuariam sem saber, que estavam participando de alguma coisa maior.

Foi assim durante milênios.  A humanidade não avançou, como quem conhece o destino.  Avançou como quem procura abrigo no escuro.  Cada geração recebia um mundo que não havia criado.  E, sem perceber, acrescentava alguma coisa a ele.

O caçador descobriu que uma pedra poderia cortar.  O outro percebeu que poderia afiá-la.  Outro descobriu que poderia amarrá-la a um cabo.  Outro ensinou uma criança.  E a criança ensinou outra.  Ninguém conhecia a cadeia inteira.  Ninguém precisava conhecê-la.

A história humana cresceu, como cresce uma árvore: ninguém vê a floresta inteira, enquanto planta a primeira semente.

Depois veio o fogo.  Não o fogo inventado, porque o homem não o inventou.  Ele o encontrou.  

 Aprendeu a conservá-lo.  Depois aprendeu a produzi-lo.  Depois aprendeu a levá-lo.  E o fogo mudou o homem, antes que o homem compreendesse que estava mudando.

A noite deixou de ser apenas ameaça.  A carne mudou.

O frio perdeu parte de seu poder.  E ao redor do fogo, surgiu uma coisa nova.  A permanência.

Um homem podia contar aquilo, que outro já não lembrava.  Uma criança podia ouvir aquilo, que não havia vivido.

A experiência começou a escapar do corpo de quem a possuía.  Talvez tenha sido esse, o primeiro grande salto da humanidade:  um homem poder viver alguma coisa, e outro aprender sem precisar vivê-la.

A partir daí, a morte deixou de ser capaz de levar tudo.

Vieram as cavernas.  Vieram as marcas.  Vieram os desenhos.  Uma mão tocou a parede, e deixou sua sombra mineral.  Um animal foi desenhado.  Uma caça foi lembrada.  Um medo encontrou forma.  E o homem descobriu, sem compreender plenamente, o que estava fazendo, que podia deixar uma coisa de si, fora de si.

Era o começo da memória.  Não da memória individual.  Mas de uma memória que sobreviveria ao indivíduo.

O homem morto já não podia falar.  Mas seu desenho permanecia.  Aquele que o havia feito desaparecia.  A marca continuava.

Foi então, que a humanidade começou lentamente a compreender aquilo, que o Filho ainda não podia compreender diante das pegadas:

não é necessário permanecer para deixar alguma coisa.

Vieram depois a agricultura, as aldeias, as cidades.

O homem começou a transformar a paisagem e, ao transformá-la, começou também a transformar a si mesmo.

Plantou sementes e precisou esperar.  Esperou e descobriu o futuro.

Talvez a agricultura tenha sido uma das primeiras formas humanas de confiança.  Enterrar uma semente significava acreditar, que alguma coisa poderia nascer, quando aquele que a enterrara, talvez já não estivesse ali.

O homem começou a construir para os que não conhecia.

Casas para filhos, ainda não nascidos.  Caminhos para pessoas, que nunca encontraria.  Templos para deuses, cuja existência não podia provar.

Túmulos para mortos, que já não podiam responder.  A humanidade começou a construir para além da própria vida.

Então veio a escrita.  E com ela aconteceu algo extraordinário.

O homem deixou de depender apenas dos vivos para lembrar.  A palavra pôde sobreviver ao corpo.  Um pensamento pôde atravessar uma geração.  Depois atravessou dez.  Depois cem.  Depois mil.

Um homem que escrevia não sabia quem leria.  E aquele que lia, já não sabia quem escrevera.  O tempo havia criado uma conversa entre desconhecidos.  Os mortos começaram a falar com os vivos.  E os vivos, sem perceber, começaram a falar com aqueles, que ainda não haviam nascido.

A história nasceu.  Mas a história também trouxe uma ilusão:  a de que o homem poderia finalmente, controlar o tempo.

Não podia.  Nunca pôde.  Impérios surgiram.  Impérios desapareceram.

Reis acreditaram ser eternos.  Foram esquecidos.  Cidades foram construídas para durar para sempre.  Viraram ruínas.  Homens escreveram seus nomes na pedra.  A pedra permaneceu mais tempo que eles.

Civilizações se imaginaram finais.  Eram apenas passagens.

Séculos depois, o homem descobriu máquinas.  Depois descobriu eletricidade.  Depois descobriu que podia voar.  Depois que podia conversar através de continentes.  Depois que podia colocar sua voz em aparelhos, capazes de atravessar o espaço.  Depois começou a produzir máquinas que aprendiam.

E cada descoberta, parecia aproximá-lo de uma antiga fantasia:  vencer seus próprios limites.

Mas a morte continuava.  O nascimento continuava.  O medo continuava.  A necessidade de amar continuava.  A solidão continuava.

O homem moderno carregava consigo, milhares de anos de conhecimento, e ainda permanecia diante da morte, com a mesma pergunta silenciosa, que talvez tivesse surgido diante do primeiro cadáver:  para onde vai alguém, quando deixa de estar aqui?

A tecnologia havia mudado quase tudo.   Mas não havia mudado isso.

E então, num futuro que nenhum dos primeiros homens poderia imaginar, alguém encontrou uma pegada.  Não era uma pegada antiga.  Era recente.  Estava impressa numa superfície que não era terra, mas uma camada de sedimentos expostos pela erosão.

O homem se agachou.  Observou.  Tocou a marca.  Por algum motivo, sentiu que havia ali, alguma coisa maior do que uma simples impressão de pé.

Não sabia quem a deixara.  Talvez jamais soubesse.  Mas compreendeu que aquela pessoa estivera ali.  E compreendeu também, que ele próprio, naquele instante, estava fazendo exatamente a mesma coisa.

Estava passando.  Seu corpo deixava uma marca.  Seu tempo deixaria outras.  Suas palavras talvez sobrevivessem.  Seus gestos talvez fossem repetidos.  Alguém poderia aprender alguma coisa, com aquilo que ele havia aprendido.

Talvez nem soubesse seu nome.  Talvez ninguém soubesse.  Mas isso já não parecia tão importante.  Porque ele finalmente compreendeu, o que os primeiros homens não poderiam compreender:

a humanidade não é uma coleção de indivíduos que venceram a morte.

É uma cadeia de indivíduos que desapareceram.  Cada um recebeu alguma coisa.  Cada um acrescentou alguma coisa.  Cada um entregou alguma coisa.

E depois partiu.

O homem permaneceu olhando para a pegada.  Pensou no primeiro homem, que um dia havia olhado para uma marca semelhante.

Não sabia seu nome.  Não sabia sua língua.  Não sabia seus medos.

Mas sabia que aquele homem havia estado ali.  E isso bastava.

Talvez seja essa a verdadeira história humana.

Não a história dos vencedores.  Não a história dos impérios.  Não a história das guerras.  Não a história das grandes descobertas.  Mas a história silenciosa, daquilo que passou de um ser humano para outro.

Um gesto.  Uma técnica.  Uma palavra.  Um cuidado.  Uma pergunta.  Uma lembrança.  Uma esperança.

Durante milhares de anos, homens e mulheres viveram sem saber que estavam construindo a humanidade.

Nenhum deles conheceu o conjunto.  Nenhum deles viu o destino.  Nenhum deles sabia, que seu pequeno gesto, poderia tornar possível o gesto de alguém que nasceria muito depois.

Essa é a grande ironia da existência:  somos sempre mais importantes para o futuro, do que somos capazes de perceber no presente.

O primeiro homem que protegeu o fogo, não imaginava a cidade iluminada.  O primeiro que desenhou um animal na pedra, não imaginava a pintura.  O primeiro que contou uma história, não imaginava a literatura.  O primeiro que levantou os olhos para o céu, não imaginava a astronomia.  O primeiro que perguntou, por que existimos, não imaginava a filosofia.

Eles não sabiam.  E talvez seja justamente por isso que fizeram.

A humanidade não nasceu sabendo para onde ia.  Nasceu caminhando.

O homem do futuro finalmente se levantou.

A pegada permanecia diante dele.  Ele poderia fotografá-la.  Poderia catalogá-la.  Poderia estudá-la.  Poderia atribuir-lhe uma data.  Poderia transformá-la em objeto de ciência.

Mas havia alguma coisa, que nenhum instrumento conseguiria medir.

Aquela marca era uma pergunta.  Não sobre quem havia passado.  Mas sobre quem passaria depois.

Ele começou a caminhar.  Deixou a pegada para trás.  E, sem perceber, deixou outras.  Talvez alguém as encontrasse.  Talvez não.

Talvez fossem apagadas pela chuva.  Talvez permanecessem durante séculos.

Isso já não importava.  Porque finalmente havia compreendido:  ninguém permanece inteiro.

O que permanece é aquilo que atravessa.  E a história humana é essa travessia.  Um homem entrega alguma coisa a outro.  O outro transforma.  O terceiro esquece.  O quarto reencontra. O quinto inventa novamente.  E assim a humanidade continua.  Não como uma linha reta.

Mas como uma sucessão de pegadas.  Algumas desaparecem.  Outras permanecem.  Nenhuma conhece o caminho inteiro.  E, no entanto, todas pertencem à mesma caminhada.

Talvez seja isso que chamamos de civilização.  Não o domínio do homem sobre o mundo.  Mas a capacidade de deixar alguma coisa no mundo, para aqueles que ainda não chegaram.

O primeiro homem não sabia que era o primeiro.  O último jamais saberá que é o último.  Entre eles, todos nós.   Caminhando.  Recebendo.  Transformando.  Deixando.  Desaparecendo.

E, em algum lugar adiante, outro homem se agachará diante de uma marca no chão.  Olhará para ela.  E a história começará outra vez.  Não porque a humanidade tenha retornado ao princípio.  Mas porque a pergunta permaneceu intacta:

O que deixaremos quando já não estivermos aqui?

Essa pergunta pode ser o eixo filosófico central de todo o projeto que você vem construindo sobre a trajetória humana. Ela parece simples, mas contém quase todas as grandes questões da existência: memória, legado, civilização, morte, consciência, poder, amor e futuro.

O mais interessante é que ela desloca a pergunta tradicional. Não pergunta “o que fomos?”, nem “o que conquistamos?”, mas:

o que permanecerá de nós, quando já não houver ninguém para nos lembrar?

Há pelo menos quatro respostas possíveis — e cada uma abre uma dimensão narrativa:

1. Deixaremos coisas.
Cidades, monumentos, livros, máquinas, ruínas, objetos. Mas as coisas sobrevivem apenas, enquanto alguém lhes atribui significado.

2. Deixaremos consequências.
Cada gesto humano, produz outros gestos. Uma violência pode atravessar gerações; uma palavra pode mudar uma vida; uma descoberta pode modificar uma civilização. Talvez nosso verdadeiro legado, não sejam nossas obras, mas aquilo que elas fizeram acontecer.

3. Deixaremos memória.
Mas a memória é frágil. Os nomes desaparecem. As fotografias perdem seus rostos. As histórias são deformadas. Um dia, provavelmente, até aqueles que nos amaram, deixarão de existir.

4. Talvez deixemos apenas a transformação.
O mundo depois de nós será diferente, porque estivemos aqui.  Não necessariamente melhor.  Não necessariamente pior. Apenas diferente.

E então surge a pergunta mais perturbadora:  se tudo aquilo que fazemos desaparecerá algum dia, qual é o sentido de fazer alguma coisa?

Talvez a resposta não esteja na permanência.  Talvez o sentido humano esteja justamente, em participar daquilo que não podemos conservar.

A primeira humanidade não sabia que estava inaugurando a história. Acendeu uma fogueira, enterrou um morto, deixou uma marca numa parede, inventou uma palavra, contou uma história. Não sabia que estava construindo algo, chamado civilização.

Seus descendentes fizeram o mesmo, mas em escala cada vez maior. Construíram cidades, impérios, religiões, Estados, mercados, universidades, fábricas, redes digitais. Aprenderam a dominar a matéria e, depois, começaram a dominar a própria informação. Chegaram à possibilidade de alterar a vida, prolongá-la, reproduzi-la artificialmente e talvez criar inteligências, que sobrevivessem à própria espécie.

Mas a pergunta permaneceu.  E talvez seja justamente aí, que esteja a tragédia da civilização:

a humanidade tornou-se extraordinariamente poderosa, sem se tornar proporcionalmente consciente, daquilo que estava fazendo.

Por isso, essa pergunta pode retornar no final da narrativa, como uma espécie de espelho colocado diante de toda a história:

O que deixaremos, quando já não estivermos aqui?

Não uma resposta.  Uma sentença.

Porque talvez a grande obra da humanidade, não seja aquilo que ela construiu, mas o que terá conseguido compreender, antes de desaparecer.

E talvez, no último instante, quando já não houver cidades, impérios ou nomes suficientes para contar nossa história, reste apenas uma coisa:  a consequência de termos existido.

O ponto decisivo é que a humanidade deixa de ser julgada pelo tamanho de suas construções, e passa a ser julgada pelo grau de consciência que alcançou.

Há uma consequência filosófica ainda mais radical:  talvez a civilização não seja aquilo que acumulamos, mas aquilo que aprendemos a não destruir.

O homem primitivo deixou marcas nas paredes das cavernas, porque precisava dizer: eu estive aqui. O homem contemporâneo ergue cidades, monumentos, impérios tecnológicos e redes planetárias, pelo mesmo impulso, apenas multiplicado: nós estivemos aqui.

Mas a pergunta final da história não será se estivemos aqui.  Isso já sabemos.  A pergunta será:  o que fizemos com o fato de termos estado aqui?

Se a resposta for apenas, que construímos, conquistamos, acumulamos e dominamos, talvez nossa passagem tenha sido apenas, uma longa expansão da inconsciência.

Mas se, em algum momento, tivermos compreendido que toda existência é transitória; que nenhuma civilização possui o futuro; que nenhum ser humano é proprietário absoluto da vida; que o outro não é um obstáculo à nossa existência; que a natureza não é um depósito infinito de recursos; que o conhecimento sem consciência, pode tornar-se destruição — então talvez alguma coisa, verdadeiramente humana, tenha acontecido.

Talvez seja isso que distingue sobrevivência de civilização.  Sobreviver é continuar existindo.  Civilizar-se é descobrir, como existir sem destruir as condições da existência.  E então o final pode voltar ao começo.

Os primeiros humanos olharam para o fogo, sem compreender o que ele significava. Depois aprenderam a dominá-lo. Milhares de anos mais tarde, aprenderam a dominar a energia, a matéria, a informação, a própria vida.

Mas demoraram muito mais, para compreender uma coisa aparentemente simples:  o poder de fazer alguma coisa, não significa que devamos fazê-la.

Talvez essa seja a verdadeira história da humanidade.  Não a história de sua ascensão.  Mas a história de sua lenta, dolorosa e incompleta passagem da inconsciência à consciência.

E é por isso que, quando tudo terminar, quando os nomes forem esquecidos, quando as cidades forem ruínas, e quando até os arquivos digitais se tornarem silenciosos, talvez não importe mais saber quem venceu, quem acumulou mais riqueza, ou quem construiu os maiores monumentos.

Restará apenas o que não pode ser fotografado, arquivado ou enterrado:  a consequência de termos existido.

E talvez seja justamente essa, a última pergunta deixada para aqueles que vierem depois de nós:

quando chegar a nossa vez de desaparecer, teremos deixado um mundo simplesmente diferente — ou um mundo mais consciente de si mesmo?

Mario Moura

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